A DIGNIDADE DO SACERDÓCIO CATÓLICO.

A DIGNIDADE DO SACERDÓCIO CATÓLICO.

Diz Santo Afonso maria de Ligório: “O empenho com que os demônios trabalham na nossa ruína, deve excitar o nosso zelo, em assegurarmos a salvação. Ó, como esses inimigos terríveis porfiam em perder um padre! Ambicionam com mais ardor a perda dum padre, que a de cem seculares, não só porque a vitória alcançada sobre um padre é para eles um triunfo mais brilhante, mas porque um padre na sua queda arrasta muitos outros desgraçados para o abismo”- (fonte : Santo Afonso de Ligório, trecho retirado do livro “A  Selva” – O Mal da Tibieza no Padre, III).

Neste mundo de desamor, de incompreensão, onde há tantos excluídos: os menores de rua, os idosos, os encarcerados, as prostitutas, os doentes, os deficientes, os drogados, os alcoolizados, os desempregados, os que não foram desejados, os abortados, os que não fazem falta. Neste caos de inflação do sexo, da droga, do alcoolismo, endossados pela degeneração da propaganda de televisão assistimos a quebra de nossos valores. Vemos fome, guerra, miséria, famílias desagregadas. Os adultos perderam o sentido da vida e do amor! Deus, que é o amor, deu uma solução para o desamor: deixou a si mesmo, na figura do sacerdote. Quando se pensa que nem a Santíssima Virgem pode fazer o que faz um sacerdote; quando se pensa que nem os anjos, nem os arcanjos, nem São Miguel, nem São Gabriel, nem São Rafael, nem um dos principais daqueles que venceram Lúcifer pode fazer o que faz um sacerdote; quando se pensa que Nosso Senhor Jesus Cristo, na última ceia, realizou um milagre maior que a criação do universo com todos os seus esplendores, ou seja, o de converter o pão e o vinho em seu corpo e seu sangue para alimentar o mundo, e que este portento, diante do qual se ajoelham os anjos e os homens, pode repeti-lo cada dia o sacerdote; quando se pensa em outro milagre que somente um sacerdote pode realizar: perdoar os pecados, e o que liga no fundo de seu humilde confessionário, Deus, obrigado por sua própria palavra, o liga no céu, e o que ele desliga, no mesmo instante desliga Deus; quando se pensa que um sacerdote faz mais falta que um rei, mais que um militar, um banqueiro, um médico, que um professor, porque ele pode substituir a todos e nenhum deles pode substituí-lo; quando se pensa que um sacerdote, quando celebra no altar tem uma dignidade infinitamente maior que um rei; e não é nem um símbolo, nem sequer um embaixador de cristo, podemos dizer com imensa alegria : obrigado sacerdote , por me dar Jesus todos os dias na celebração da Santa Missa.

O próprio Cristo que está ali repetindo o maior milagre de Deus. Cristo (…). É o único sacerdote da nova aliança, cuja duração é eterna, infinita. Exerceu na cruz o ofício de sacerdote de modo visível e foi nela a vítima cruenta; nos nossos dias continua a exercer invisivelmente o mesmo ofício e a sacrificar-se, incruentamente, nos nossos altares. Para ser de algum modo visível, fá-lo mediante homens, que investe de seu poder sacerdotal, dizendo-lhes: “Fazei isto em memória de mim”. Daqui provém toda a dignidade do sacerdócio na Igreja Católica. Daqui o apelidar-se o sacerdote católico de “Alter Christus” – outro Cristo – daqui o atribuir-se ao sacerdote católico o que se atribui a
Cristo, dizendo dele: “Tu es sacerdos in aeternum secundum ordinem melchisedech” (sl 109, 4). E isto tudo diz do sacerdote católico, porque não é mero instrumento nas mãos de Cristo, como o é a pena com que escrevo, mas é algo mais. Explico-me: o instrumento não merece louvor, honra e glória; pois quem tal tributaria a uma pena, embora concorra para produzir obra prima de literatura? É que a pena age segundo for movida pelo escritor, como causa sua principal; e tanto faz quanto direta e imediatamente é movida; nada mais e nada menos. Não assim o sacerdote; é algo mais nas mãos de Cristo. O sacerdote é mais que instrumento, é mais que mera causa instrumental: é causa ministerial. A causa ministerial consiste em que ela subministra e prepara tudo o que o agente deve ter ou é conveniente que tenha para poder agir. Por tudo isso, amemos e rezemos sempre pela santidade e pela vocação de nossos sacerdotes.

Diz Santo Afonso Maria de Ligório, em seu livro “A Selva” em plena concordância com o novo código de direito canônico. Aprovada pelo Ex.mo Rev.mo Sr. Dom Antônio Barbosa Leão, em despacho de 8 de setembro de 1928 – em uma exortação para ordinandos e sacerdotes. Diz o santo doutor: “Dirá talvez o padre tíbio: basta-me que não cometa pecados mortais e que me salve — basta que vos salveis? Não, responde Santo Agostinho: “Visto que sois padre, estais obrigados a trilhar o caminho estreito da perfeição; se seguirdes pela via larga da tibieza, não vos salvareis. Se dizeis: basta, estais perdido”. Segundo São Gregório, “Quem é chamado a salvar-se como santo, e quer salvar-se como imperfeito, não se salvará”. Como vimos acima, é certo que o sacerdote é obrigado a tornar-se santo, quer pela sua qualidade de amigos e ministro de Deus, quer em razão das funções augustas que exerce, não só quando oferece o sacrifício da Missa, mas quando se apresenta como mediador dos homens, diante da sua divina majestade, e quando santifica as almas mediante os sacramentos; porque é para o fazer caminhar na perfeição que o Senhor o cumula de graças e socorros especiais. O padre é tão instruído na lei de Deus, que a ensina aos outros: porque os lábios do sacerdote hão de guardar a ciência, e é da sua boca que os outros aprenderão a lei. Os padres são chamados por são Cirilo — dei intimi familiares. A que dignidade mais alta poderia Deus erguer a um homem, do que fazê-lo sacerdote? Passai revista a todas as honras e dignidades, diz Santo Efrem, e vereis que não há nenhuma que não seja eclipsada pelo sacerdócio. Que honra maior, que nobreza mais assinalada, que ser constituído vigário de Jesus Cristo, seu coadjutor, santificador das almas e ministro dos sacramentos? Dispensadores Regiae Domus: é assim que são próspero chama aos padres. Escolheu o Senhor o padre do meio de tantos outros homens, para ser ministro seu, e para lhe oferecer em sacrifício o seu próprio Filho. Para fazer um bom padre não bastam apenas graças comuns e pouco numerosas; requerem-se graças muito especiais e abundantes. Santo Inácio de Loyola chamou um certo, dia um irmão leigo da sua companhia, que passava uma vida muito tíbia, e falou-lhe assim: “dize-me, irmão meu, que vieste fazer à religião? ” Ele respondeu-lhe: “Vim para servir a Deus”. “Ah, meu irmão, replicou o santo, que disseste? Se me tivesses respondido que foi para servir um cardeal, um príncipe da terra, terias mais desculpa; mas, visto que vistes para servir a Deus, — é assim que o serves?”. Escolheu-o entre todos os homens para oferecer o sacrifício a Deus. Deu-lhe poder sobre o corpo de Jesus Cristo; depôs nas suas mãos as chaves do paraíso; elevou-o acima de todos os reis da Terra e de todos os anjos do céu; numa palavra, fê-lo um Deus na Terra – (fonte: santo Afonso Maria de Ligório, livro “A Selva”. O Mal da Tibieza no Padre, parte II e III)

Daqui a dignidade suma e a responsabilidade tremenda do sacerdote, vigário de Cristo. Não é um mero instrumento nas mãos de Cristo-sacerdote; mas é um meio ministerial. Deu-se a Jesus livremente de corpo e alma, para, por seu meio, exercer as funções sacerdotais e perpetuar em sua pessoa o sacerdócio visível cá no mundo. Cristo-sacerdote veria irremediavelmente frustrada a sua obra de redenção, no dia em que já não contasse com um homem sacerdote; não porque não lhe fosse possível uma nova ordem de coisas na grande e maravilhosa economia da redenção do gênero humano, mas porque a suave providência divina assim dispôs. Deus, na sua infinita providência, vigiará e fará com que seu divino Filho possa encontrar sempre, até a consumação dos séculos, homens dignos e fiéis que se prestem com júbilo e alvoroço como suas causas ministeriais, para que possa dispensar, por intermédio deles, os frutos inestimáveis do sacrifício da cruz, renovado de modo incruento no Santo Sacrifício da Missa. Ó grande pontífice! Ó sumo sacerdote, Jesus Cristo, é então verdade que pusestes nestas criaturas, que se dizem homens, os vossos complacentes olhares? “Como a Virgem Maria, dado o seu consentimento, se tornou co-redentora do gênero humano, assim estas criaturas dão o seu consentimento, e tornam-se sacerdotes vossos; antes tornam-se um “outro cristo”!

 

Equipe Padre Rodrigo Maria