A ILUSÃO DA MISERICÓRDIA SEM CONVERSÃO E SEM ARREPENDIMENTO.

A ILUSÃO DA MISERICÓRDIA SEM CONVERSÃO E SEM ARREPENDIMENTO.

NÃO SABES QUE A BENIGNIDADE DE DEUS TE CONVIDA À PENITÊNCIA? (RM 2,4)

 Diz Santo Agostinho“Se Deus espera com paciência, não espera sempre. Pois, se o Senhor sempre nos tolerasse, ninguém se condenaria; ora, é larga a porta e espaçoso o caminho que leva à perdição, e muitos são os que entram por ele. Quem ofende a Deus, fiado na esperança de ser perdoado, é um escarnecedor e não um penitente”.

 Diz ainda Santo Agostinho : “…..o demônio seduz os homens por duas maneiras: Com desespero e com esperança. Depois que o pecador cometeu o delito, arrasta-o ao desespero pelo temor da justiça divina; mas, antes de pecar, excita-o a cair em tentação pela esperança na divina misericórdia”. É por isso que Santo Agostinho nos adverte, dizendo: “Depois do pecado tenha esperança na divina misericórdia; antes do pecado tema a justiça divina. E assim é, com efeito. Porque não merece a misericórdia de Deus aquele que se serve da mesma para ofendê-lo. A misericórdia é para quem teme a Deus e não para o que dela se serve com o propósito de ofende-Lo. Ai daquele que para pecar confia na esperança! A quantos essa vã ilusão tem enganado e levado à perdição”, finaliza o santo

Nos ensina Santo Afonso Maria de Ligório, em seu livro “Preparação para a morte”: “Quem semeia pecados, não pode esperar outra coisa que não seja o eterno castigo no inferno (Gl 6,8). O laço com que o demônio arrasta quase todos os cristãos que se condenam é, sem dúvida, esse engano com que os seduz, dizendo-lhes:“Pecai livremente, porque, apesar de todos os pecados, haveis de salvar-vos”. O Senhor, porém, amaldiçoa aquele que peca consciente e livremente na esperança de perdão. A esperança depois do pecado, quando o pecador deveras se arrepende, é agradável a Deus, mas a dos obstinados lhe é abominável. Tal esperança provoca o castigo de Deus, assim como seria passível de punição o servo que ofendesse a seu patrão, precisamente porque ele é bondoso e amável. Certo autor indicava que o Inferno se povoa mais pela Misericórdia do que pela Justiça Divina. E assim é, porque, contando temerariamente com a Misericórdia, prosseguem pecando e acabam condenando-se. Deus é infinitamente Misericordioso, ninguém o nega. Mas, apesar disso, a quantos hoje em dia manda a misericórdia desvirtuada para o Inferno. Deus é Misericordioso, mas também é Justo, e por isso sente-se obrigado a castigar a quem O ofende” – (FONTE: Livro “Preparação para a morte” , de Santo Afonso Maria de Ligório , Bispo e doutor da Igreja)

 Diz São Basílio: “Não duvideis que DEUS é infinitamente Misericordioso, mas saibamos que Ele é também JUSTO, e estejamos bem atentos para não considerar apenas uma metade de DEUS. Uma vez que DEUS é JUSTO, é impossível que os ingratos escapem do castigo. Misericórdia!! Misericórdia sim, mas para aqueles que TEMEM E BUSCAM à DEUS, e não para aquele que abusa da paciência DIVINA”

Algo me incomoda sobremaneira. O pensamento corrente em um “deus-amor” que se contrapõe ao Deus revelado nas páginas da Bíblia e por toda a amplitude da Revelação Divina. Ora, Deus, Criador do céu e da terra, não é também um Deus-Amor? Sim, EVIDENTE Deus é o Amor pleno e perfeito. Para sabermos sobre isto, basta lermos a I Carta do Apóstolo João, onde ele não somente explicita o Amor Divino como diz que quem não ama não é de Deus. Portanto, Deus é o amor perfeito, infinito!! Dito isto, e para tratarmos melhor esta questão, vamos então conhecer um pouco deste “deus-amor” recorrente em nosso tempo. Um dos maiores perigos, tanto pelo excesso quanto pelo desleixo é justamente querermos moldar um deus às nossas convêniencias, que seja compatível ao modo de pensar nas diversas épocas de nossa sociedade. O que acontece em nossa época? Acontece que há um esfriamento da Fé, um esquecimento muito grande do compromisso com a Fé e seus mínimos preceitos, um aniquilamento do modo geral de que Fé não é exatamente necessário para ser uma boa pessoa, o clima atual nos faz pensar que a Fé é apenas um ato bom e natural e que no fundo no fundo não leva ninguém a nada, a não ser confortá-las até o fim da vida. Já que há uma dormência do conhecimento de Deus, então alarga-se o campo das teorias religiosas de nossos tempos e que estas teorias, muitas delas bestiais, encontrem um grandioso campo fértil para a sua propagação e que acabam sendo acolhidas por muitos e muitos, grandes e pequenos, ricos e pobres, etc. A Santa Igreja ensina , que a presunção da salvação sem merecimento, ou seja, aquele pensamento de que vou me salvar sem arrependimento, sem conversão, e sem obedecer ás leis e os mandamentos de Deus, pois Deus é misericordioso, é um PECADO CONTRA O ESPÍRITO SANTO, E PORTANTO, UM PECADO QUE NÃO TEM PERDÃO!! É muito fácil, muito bom e confortável acolhermos a imagem de um “deus-amor”, que concede a liberdade não para que O amemos, mas para que possamos fazer tudo o que se pode e queremos fazer. Este “deus-amor” é contrário a repressão dos sentimentos desordenados, pelo contrário, é a imagem de um deus que antes incentiva tais desordens, já que este deus é a pura misericórdia, tudo e todos estão salvos, então comamos, bebamos e morramos depois. Para propagar este deus-amor, muitas vezes as pessoas, já confortavelmente envolvidas com este deus, gostam de contrastar o deus-amor de hoje com o Deus de nossos pais, ou seja, o Deus de nossos pais, o Deus que os nossos pais tiveram a virtude de nos ensinar desde o nosso berço, é um Deus de castigo, um Deus de rosto fechado, bravo, pronto a nos dar cachimbadas pelos nossos erros, então claro, o deus de nossa época é muito melhor que o Deus de nossos pais, pois não castiga, não cobra respostas inteligíveis ao dom da Fé, não nos ameaça com a perdição eterna do inferno. Eu lhes afirmo: Este deus, é falso. Um deus praticamente hippie, que se possivel viria a terra para gandaiar conosco e conduzir a festa. Deus não muda, mesmo que as nossas conveniências nos insitem a querer isso. Dizer que o Deus de nossos pais é diferente do deus de nossos tempos é dizer que Deus somente existe pela nossa necessidade natural de crer e assim podemos então, ao invés de se abrir ao grande mistério divino, criar o nosso deus, seja ele deus-amor, deus-paz, deus-justiça, dos pobres, do homossexualismo, fraternal, um deus escondido, enfim, um deus irreconhecível. Deus não muda e este Deus eterno e soberano, Todo-Poderoso, Criador do Céu e da terra, é sim um Deus de Amor, do Amor único, pois fora Dele não há amor verdadeiro, não há vida, não há nada

A Igreja , baseando-se nas palavras de Jesus Cristo , fala sobre a existência do inferno , e sobre o fato de que haverá condenados no juízo final. E todo aquele que negar isso, seja clérigo ou laico, incorre em heresia . Somos livres para tornar o olhar com nossa alma ao Salvador e, também somos livres para obstinar-nos na sua rejeição. A morte petrificará essa opção pela eternidade toda. A salvação não é um direito que se tem enquanto ser humano, mas é um prêmio que se recebe por responder positivamente ao plano de Deus para cada um, pois, Ele espera que cada um o reconheça como Deus, siga sua lei e se sirva dos meios de santificação que deixou. A misericórdia de Deus exige de nós mudança de vida. Não confie nessa misericórdia falsa, porque a que vem do Senhor causa em nós reação e conversão.

 A salvação de Deus é para todos. Não preguemos meias verdades, preguemos verdade inteira, renunciemos a vida velha e entremos pela porta estreita. Jesus quer que olhemos para o hoje, como estamos nos posicionando em relação a Jesus. Muitas vezes somos prepotentes, porque vamos nos enchendo de nós mesmos. Mas é preciso nascer hoje para a vida nova. Sejamos justos, porque Deus é justiça, misericórdia e amor. O nosso lugar é o céu e não vamos desistir diante da cruz do dia a dia. Porque lá no céu vai ser alegria e realização plena. Meus irmãos, coragem. Percorre-se longo caminho na empreitada em busca da salvação.Deus, efetivamente, quer que o homem realize a missão que lhe cabe, porquanto Ele sempre provê o necessário para tal, através de sua infinita bondade e misericórdia.

Revela Santa Faustina, em seu Diário: “Ó infelizes, que não aproveitais esse milagre de misericórdia de Deus! Clamareis em vão, pois já será tarde demais .Vi duas estradas: Uma estrada larga, atapetada de areia e flores, cheia de alegria e de música e de vários prazeres. As pessoas caminhavam por essa estrada dançando e divertindo-se — estavam chegando ao fim, sem se aperceberem disso. E, no final dessa estrada, havia um enorme precipício, ou seja, o abismo do Inferno. Essas almas caíam às cegas na voragem desse abismo; à medida que iam chegando, assim tombavam. E seu número era tão grande que não era possível contá-las. E avistei uma outra estrada, ou antes uma vereda, porque era estreita e cheia de espinhos e de pedras, por onde as pessoas seguiam com lágrimas nos olhos e sofrendo dores diversas. Uns tropeçavam e caíam por cima dessas pedras, mas logo se levantavam e iam adiante. E no final da estrada havia um magnífico jardim, repleto de todos os tipos de felicidade e aí entravam todas essas almas. Já no primeiro momento, esqueciam de seus sofrimentos” (Fonte: DIÁRIO DE SANTA FAUSTINA, 1448 e 153)

Quem não está convencido da plena seriedade da Eternidade, não convence ninguém, e só pregará um evangelho que não é o de Cristo. Muitos dizem-se tão misericordiosos, mas no fundo são deveras cruéis, pois ao não pregarem abertamente sobre as consequências do pecado, induzem o pecador em erro, levando-o a adiar a sua conversão, e dessa forma conduzem-no ao erro, pois este acumula pecados sobre pecados, obstinando-se no pecado, esperançado que um dia terá perdão mesmo sem o mínimo arrependimento. Só que, a muitos, a morte surpreende-os, sem terem tempo ou condições para se prepararem convenientemente.

Já dizia NOSSO SENHOR JESUS CRISTO á Santa Catarina de Sena: «Por presunção, erroneamente, firmam-se na esperança de serem perdoados, mas continuam a ofender-Me, pensando mesmo assim poderem contar com a Minha misericórdia. Jamais ofereci ou ofereço a Minha misericórdia para que Me ofendam. A finalidade do Meu perdão é para que, pela Misericórdia, os pecadores se defendam do Demônio e da confusão de espírito. Mas agem diversamente. Ofendem-Me porque sou Bom!» (Fonte: SANTA CATARINA DE SENA, LIVRO: O Diálogo, 14)

Diz São João Crisóstomo: “Essa misericórdia sobre a qual vós contais para poder pecar, dizei-me, quem vo-la prometeu? Não Deus, certamente, mas o demônio, obstinado em vos perder. Cuidado, de dar ouvidos a este monstro infernal que vos promete a misericórdia celeste…..’Deus é cheio de misericórdia, eu pecarei e em seguida confessar-me-ei’. Eis aí a ilusão, ou antes, a armadilha que o demônio usa para arrastar tantas almas ao inferno!”

Busquemos pois, com urgência, o sacramento da confissão, verdadeiramente arrependidos, pois, afirma São Bernardo: “…que o coração, obstinado no mal durante a vida, se esforçará, no momento da morte, para sair do estado de condenação; mas não chegará a livrar-se dele, e, oprimido por sua própria malícia, terminará a sua vida no mesmo estado”

Tendo amado o pecado, amava também o perigo da condenação. É por isso justamente que o Senhor permitirá que ele pereça nesse perigo, no qual quis viver até à morte. Santo Agostinho disse que: “…aquele que não abandona o pecado antes que o pecado abandone a ele, dificilmente poderá na hora da morte detestá-lo como é devido, pois tudo o que fizer nessa emergência, o fará obrigadamente, e não verdadeiramente arrependido”.

O arrependimento, que é essencial à verdadeira conversão (cf. At 2,38; 17,30), envolve morte do pecado (cf. Rm 6). A Bíblia usa termos como “matar o velho homem e revestir-se com o novo”, e descreve com minúcias as mudanças exatas que precisam ser feitas (cf. Ef. 4,17-32; Cl 3). Maus hábitos como embriaguez, imoralidade sexual, ira, ganância e orgulho, precisam ser eliminados da própria vida, ao passo que devem ser acrescentados o amor, a verdade, a pureza, o perdão e a humildade. Este é o resultado do verdadeiro arrependimento. A tendência de muitas pessoas do Século XXI tem sido amenizar as exigências da conversão e inventar um plano mais fácil. Muitas pessoas tentam buscar a conversão e ajudar outras a se converterem sem arrependimento. Isso não é possível. Pois, elas ensinam um cristianismo indolor, que não exige sacrifício. Elas salientam as emoções, a felicidade e as bênçãos, porém pensam muito pouco sobre as mudanças reais que a conversão exige na vida diária da pessoa. Entendamos isto claramente: não há conversão sem arrependimento, e não há misericórdia sem arrependimento e conversão!!

 A urgência da conversão está expressa em nosso cotidiano da vida. Jesus Cristo é a manifestação radical e definitiva do amor de Deus por nós. Mas para que esse verdadeiro e incomparável amor de Deus se torne comunhão, temos de nos abrir diariamente a graça de Deus, desejá-lo no íntimo do nosso ser, mudar em nós aquelas atitudes que dificultam ou mesmo impedem a conversão. Vamos fazer um verdadeiro exame de consciência. Reexaminar nossas atitudes e buscar de coração aberto um verdadeiro arrependimento de nossos pecados.

Reflitamos de forma demasiadamente simples sobre o amor. Amor é não querer que o mal aconteça a nós e a ninguém, para isso temos limites que muitas vezes só conseguimos suportar por Amor. Logo, este deus-amor não se encaixa em sua omissão, pois permite que as pessoas se atolem até o pescoço com essa liberdade que conduz à ruina da pessoa humana, confundindo a individualidade da pessoa humana com o egoísmo. Por isso eu digo que esse deus-amor bonzinho ao ponto de nos permitir afundar na nossa própria miséria e de nos deleitarmos nela, deve ser tido como nada. Abra-se sim ao Deus da Redenção, ao Deus que falou ao Povo de Israel, ao Deus que nos deixou por herança a sua própria obra que é a Santa Igreja, na qual se congrega todo o seu povo e que o conduz a presença deste Deus que é Amor, mas que também è JUSTIÇA , e corrige aqueles que ama e castiga aqueles que tem por seus filhosClaro, ao dizerem sobre Deus Amor verifique se ele é o Deus que a Igreja ensina, pois ela foi fundada por Ele e enviada a anunciá-Lo sem enganos até o fim dos tempos , se é o Deus da Bíblia, o Deus da Divina Revelação Cristã, completa e imperecível. Deus é Pai, é Amor é Vida. O Deus Verdadeiro.

 

Equipe Padre Rodrigo Maria

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