O Sacerdote no altar, deve unir-se a Virgem Maria no Calvário

O Sacerdote no altar, deve unir-se a Virgem Maria no Calvário

Tu és o meu Filho e hoje te gerei (Sl 2,7) diz o Salmista, mas podemos colocar estas palavras nos lábios da Virgem Santíssima, que dirige-as continuamente ao seu Filho Jesus. O título de “corredentora” que é aplicado única e exclusivamente à Maria Santíssima alcança horizontes que vão além do que o entendimento humano pode alcançar, um título que desde toda a eternidade esteve reservado especialmente à esta Virgem e que atingiu o seu cume ao lado do Verbo de Deus pregado no alto da Cruz. “At ubi venit plenitudo temporis misit Deus Filium suum factum ex muliere”, “e na plenitude dos tempos Deus enviou o seu Filho para que nascesse de uma Mulher”. Esta mulher foi Maria, que foi prevenida do pecado original já em vista dos merecimentos de Cristo na Cruz, e sendo este um privilégio único para que assim pudesse Ela ser a Mãe do Filho de Deus, Aquele que viria a ser o Sumo e Eterno Sacerdote da nova e eterna aliança. Segundo Santo Afonso de Ligório, quando a Santíssima Virgem ofereceu o seu Divino Filho no templo, Ela o fez de forma diferente das outras mães que realizavam tal oferecimento a Deus como uma simples cerimônia da lei, enquanto Maria realmente ofereceu o seu Filho a Deus, e, sabia Ela, que O oferecia à morte. Sabia Ela que esta oferenda do Filho de Deus iria se consumar no altar da Cruz. De forma análoga, na Santa Missa, o sacerdote oferece a Deus o pão e o vinho como oblação, que tornar-se-ão o Corpo e Sangue do próprio Filho de Deus pelo perdão dos pecados e salvação nossa. Da mesma forma ocorreu com Maria, que dentro do seu ventre imaculado gerou o Filho de Deus; com a sua ilibada carne e com o seu puríssimo sangue deu forma e alimentou o Verbo Encarnado, o Deus humanado. Maria Santíssima ofereceu a Deus uma parte de si, ofereceu a carne da sua carne e o sangue do seu sangue, o seu Bem maior e o grande amor de sua vida, Aquele a quem Deus Pai confiou os cuidados maternos e a autoridade plena; Ela, por sua vez, ofereceu o mesmo no Calvário como sacrifício de expiação por nossos pecados. Desde o momento da Encarnação do Verbo, Maria tornou-se a Mãe Corredentora

Aquela que contribuiu indescritivelmente pela redenção da humanidade, já que Deus Pai, o Criador de Tudo, que não possui a necessidade de sujeitar-se a alguém, quis submeter todo o seu plano de redenção a uma jovem de Nazaré. E da mesma forma com que Deus quis o seu consentimento para que o seu Filho se encarnasse em seu ventre virginal, também quis Deus que Maria consentisse com o sacrifício do seu Filho em vista da redenção dos homens. A entrega de Maria foi completa e total: ela deu o seu maior amor, Jesus Cristo, e esta entrega foi plenificada na Cruz, e, segundo o Abade Arnoldo de Chartres, Maria, na morte de seu Filho, uniu-se de tal modo sua vontade à do seu Filho, que ambos ofereceram um só e mesmo sacrifício, por isso ambos operaram a humana redenção e obtiveram a eterna salvação aos homens. Se, segundo o magistério da Santa Igreja, a Santa Missa é o Calvário e a renovação do Sacrifício de Cristo na Cruz – mas de forma incruenta -, Maria Santíssima, da mesma forma em que esteve presente ao lado do seu filho durante sua crucifixão, também está presente ao lado do altar durante a celebração do Sacrifício do Altar, já que o mesmo Deus é imolado pelo perdão dos nossos pecados nas mãos do sacerdote.

Enquanto Maria Santíssima deu à luz o Filho de Deus de uma vez por todas, o sacerdote pode fazê-lo quantas vezes quiser; seja um sacerdote que viva como um anjo, seja um sacerdote que viva como um demônio. Se Maria tivesse cometido um único pecado em toda sua vida, mesmo que venial, não seria Ela digna de ser a Mãe de Deus, ao passo que o sacerdote, sendo um homem manchado pelo Pecado Original, está sujeito a todos os tipos de pecados, mas que mesmo assim, não importando em que estado se encontre a sua alma, Jesus Cristo sempre se fará presente na hóstia quando forem pronunciadas estas palavras que fazem tremer a abóbadas do Céu: “Este é o Meu Corpo” Assim como Maria que também fez uma oblação de si mesma a Deus em perfeita união com o oferecimento que fez do seu Filho no templo e plenificado no alto da Cruz em favor da humanidade, o Sacerdote deve portanto buscar emular a imagem de Maria Santíssima durante a Santa Missa, oferecendo-se sem cessar a Deus como vítima que se une ao Cordeiro que está sendo oferecido em suas mãos sacerdotais. Assim como Maria Santíssima levou em seus braços o Divino Menino até o templo em que realizou a solene oferta do seu querido Filho em sacrifício, e já tendo em vista a redenção que ainda viria, o sacerdote, enquanto se encontrar diante do altar, deve realizar o mesmo ato de oblação e com as mesmas intenções que teve a Dolorosa Mãe Corredentora : oferecendo-se a si mesmo como vítima em expiação dos pecados da humanidade e de forma mais excelente quando erguer até o alto a Sagrada Eucaristia logo após ter proferido aquelas palavras que são, de certa forma, uma ordem ao Senhor dos senhores, para que Ele se faça presente da mesma maneira altíssima e gloriosa em que Ele se encontra no Céu: em um simples pedaço de pão.

Durante a Missa, as mãos do sacerdote tornam-se, se assim podemos dizer, o ventre Imaculado de Maria, pois, da mesma forma que somente do puríssimo ventre de Maria poderia ser gerada a carne do Filho de Deus, somente nas mãos ungidas do sacerdote pode fazer-se presente o Altíssimo e glorioso Rei dos reis. Também como Maria, que no Calvário plenificou a sua entrega total a Deus, tornando-se a Mulher Corredentora do gênero humano, o sacerdote, no altar, torna-se uma espécie de “corredentor”, no sentido espiritual da palavra, já que Ele exerce o ofício de Sacerdote do Altíssimo, um ofício de um outro Cristo, já que o sacerdote diz In Persona Christi, na pessoa de Cristo, “hoc est enim Corpus Meum” “Isto é o meu corpo” – Mt. 26, 26, mas que obviamente não refere-se a si mesmo, mas obedece ao mandamento que o Eterno Sacerdote decretou na Última Ceia: “Todas as vezes que fizerdes isto, fazei-o em memória de mim” – Lc 22, 19.

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