O TEMPO, E O SACRAMENTO DA CONFISSÃO

O TEMPO, E O SACRAMENTO DA CONFISSÃO

“Filho, aproveita o tempo” – (Eclo 4, 23). O sacramento da confissão é uma grande graça que Deus nos dá e não podemos viver esse sacramento de qualquer maneira. É preciso se abrir a essa graça. E nós, temos buscado esse sacramento? Já paramos para pensar, se sabemos realmente nos confessar? É claro que não é uma tarefa muito fácil, mas é fundamental, é uma questão de sobrevivência, afinal é o que nos permite aproximar do amor de Deus, da sua misericórdia, e salvar nossa pobre alma, pois quando lutamos contra o pecado colocamos Deus em primeiro lugar na nossa vida.Precisamos acordar e rever nossa vida, termos em mente que o maior pecado de hoje é a perda do sentido do pecado. Não há mais temor, por isso quando nos preparamos para uma confissão, precisamos pedir ao Espírito Santo para nos iluminar e para termos temor em tudo o que fizermos, e principalmente clarear nossos pensamentos para que possamos fazer um verdadeiro exame de consciência, para que a vergonha dê lugar à verdade, para que possamos nos abrir verdadeiramente arrependidos para esse amor de Deus que nos perdoa através do sacerdote, que se torna o próprio Cristo. É preciso ter a coragem e força para negarmos o pecado, mas, se cairmos nele, precisamos ter mais coragem ainda de nos acusarmos e confessarmos arrependidos. Não percamos essa graça! Tenhamos coragem, tenhamos fé, nos confessemos de verdade, tenhamos temor, de ofender a Deus, e de merecer o inferno por nossos pecados. Diz a Sagrada Escritura: “E digo isto a vós outros que conheceis o tempo, que já é hora de despertardes do sono, porque a nossa salvação está agora mais perto do que quando no princípio cremos”…“E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um, segundo as suas obras” – (Romanos 13:11, Apocalipse 22:12). E então, penso e pergunto: quanto tempo temos ainda, para nos arrependermos, verdadeiramente, de nossos inúmeros e graves pecados, e buscar a reconciliação com Deus? Dez anos? Um ano? Um mês? Um dia? um minuto? O tempo é um tesouro que só se acha nesta vida, mas não na outra, nem no céu, nem no inferno. É este o grito dos condenados: Oh! Se tivéssemos uma hora! Por que sempre adiamos para amanhã nossa confissão, se podemos fazê-la hoje? Reflitamos que o tempo passado desapareceu, e já não nos pertence; que o futuro não depende de nós. Só dispomos do tempo presente para agir. Então, que seja hoje, que seja agora. Santo Agostinho, doutor da Igreja, nos adverte com estas contundentes palavras: “Como te podes prometer o dia de amanhã, se você não dispõe sequer, de uma hora de vida?”. São Bernardo, diz: “passam rapidamente os dias de salvação, e ninguém reflete que esses dias desaparecem e jamais voltam”. Pobres cegos, que assim vão perdendo tantos dias, dias que nunca mais voltam. O tempo é desprezado, e será a coisa que os mundanos mais desejarão na hora da morte. Diz a Sagrada Escritura: “Queremos então dispor de mais um ano, mais um mês, mais um dia; mas não o terão, e ouvirão dizer que já não haverá mais tempo” – (Apocalipse 10,6). O que não daria então cada um deles, para ter mais uma semana, um dia de vida, a fim de poder melhor ajustar as contas da alma. Exorta o profeta, a que nos lembremos de Deus e procuremos sua graça antes que a luz se nos extinga – (Eclo 12,1-2).

“Virá a noite em que ninguém poderá fazer mais nada” – (João 9,4). Então, o momento da morte será para nós, o tempo da noite, em que nada mais poderá fazer. A consciência nos recordará todo o tempo que tivemos, e que empregamos em prejuízo de nossa alma; todas as graças que recebemos de Deus para nos santificar, e de que não quisemos aproveitar. Sabemos com certeza, que muito brevemente, no momento em que menos esperarmos, se há de julgar a causa do maior negócio que temos, isto é, do negócio de nossa salvação eterna, e ainda perdemos tempo? Continuamos a acumular pecado sobre pecado, não nos arrependemos, e não buscamos o sacramento da confissão? Como somos insensatos, quanta falta de fé!! Diremos talvez: “Sou ainda moço; mais tarde me converterei a Deus”. Pois tenhamos consciência, que o redentor amaldiçoa, a quem ele chama e lhe resiste. Ao demônio parece breve a duração de nossa vida, e é por isso que ele não deixa escapar ocasião de nos tentar. “Desceu a vós o demônio, com grande ira, sabendo que lhe resta pouco tempo” – (Ap 12,12). Todo o tempo que não é empregado para Deus, é tempo perdido. A venerável irmã Joana da Santíssima Trindade, filha de Santa Teresa, dizia que “Na vida dos santos não há dia de amanhã; só o há na vida dos pecadores, que dizem sempre mais tarde, mais tarde, e é assim que chegam à morte”, finaliza irmã Joana. “É agora o tempo favorável” – (2 Cor 6,2). “Se hoje ouvirdes a sua voz, não queirais endurecer vossos corações” -(Sl 94,8). Hoje Deus nos chama a fazer o bem; faze-o hoje mesmo, porque amanhã talvez já não tenhamos mais tempo, ou Deus não mais nos chamará. E, se por desgraça, na vida passada empregamos o tempo em ofender a Deus, procuremos agora, expiar essa falta no resto de nossa vida mortal, como resolveu fazer o rei Ezequias: “Repassarei diante de ti todos os meus anos com a amargura de minha alma” – (Is 38,15). Deus nos prolonga a vida, para nos arrependermos, nos confessarmos, e para que resgatemos o tempo perdido. O que podemos fazer hoje, não digamos que o faremos amanhã, porque o dia de hoje se perderá, e não mais voltará, e não sabemos se teremos o dia de amanhã. “O tempo se fez curto!” – (1 Cor 7, 29). Que breve é a nossa passagem pela terra!

Diz um grande santo, São Leonardo de Porto Maurício: “Se você considerar o sacramento da penitência, há tantas confissões distorcidas, tantas desculpas esfarrapadas, tantos arrependimentos fraudulentos, tantas falsas promessas, tantas resoluções ineficazes, tantas absolvições inválidas! Será que você considera como válida a confissão de alguém que se acusa de pecados de impureza e ainda guarda a ocasião deles? Ou alguém que se acusa de injustiças óbvias, sem a intenção de fazer qualquer reparação que seja para elas? Ou alguém que cai de novo na mesma iniquidade imediatamente após sair da confissão? Oh, abusos horríveis de tão grande sacramento! Uns confessam para evitar a excomunhão, outros para ter uma reputação como um penitente. Uns livram-se de seus pecados para acalmar seus remorsos, outros esconde-os de vergonha. Uns acusam-se de forma imperfeita por má intenção, outros expõem-se por força do hábito. Uns não têm a verdadeira finalidade do sacramento em mente, a outros estão faltando a tristeza necessária, e para outros, ainda, o propósito firme. Pobres confessores, quais esforços vocês fazem para trazer o maior número de penitentes a estas resoluções e atos, sem os quais a confissão é um sacrilégio, absolvição uma condenação e a penitência uma ilusão? ”, finaliza o santo. Um dia Santa Teresa viu muitas almas a cair no inferno. Ela perguntou a jesus porque tantas almas caíam no inferno. Jesus respondeu: “Por causa das confissões mal feitas”. Então Santa Teresa escreveu logo a um padre: “Padre, pregue muitas vezes contra as confissões mal feitas, porque esse é um dos laços do demônio, para pegar muitas almas”, finaliza São Leonardo. Cito novamente Santo Agostinho, que diz: “Aquele que não abandona o pecado antes que o pecado abandone a ele, dificilmente poderá na hora da morte detestá-lo como é devido, pois tudo o que fizer nessa emergência, o fará obrigadamente, e não verdadeiramente arrependido”

Para seu justo castigo, o moribundo pecador achar-se-á neste estado, na hora da morte, às portas da eternidade. “O coração duro será oprimido de males no fim”, porque, mesmo que a ele se dirijam, não será com verdadeira disposição de se converterem. Por amor às criaturas — disse o Senhor — os pecadores me voltaram as costas. À hora da morte recorrerão a Deus, e Deus lhes dirá: “Agora recorreis a mim? Pedi socorro às criaturas, já que foram elas, os vossos deuses” – (Jr 2,27). Nos aproximemos do tribunal da penitência, em cada ocasião, como se aquela fosse a última confissão de nossa vida, como preparação imediata para o viático e o juízo de Deus. Deve-se combater com energia o espírito de rotina, não nos confessando por mero costume de fazê-lo a cada tantos dias, mas empregando o máximo empenho em conseguir, com a graça de Deus, um verdadeiro arrependimento, uma verdadeira conversão, e a renovação de nossa alma. Existem, por fim, cinco passos para uma boa confissão, e são eles: a) exame de consciência bem feito (isto é, rezar e pensar nos pecados cometidos por pensamentos, palavras, atos e omissões); b) arrependimento sincero dos pecados cometidos (também dos já perdoados); c) propósito de nunca mais pecar (antes morrer do que tornar a pecar); d) confissão individual com o sacerdote (isto é, contar aos pecados ao confessor em espécie, número e circunstâncias); e) satisfação (isto é, execução da penitência imposta pelo confessor, se possível imediatamente). Quem sofre a tentação de ocultar os pecados na confissão, pondere, que deste modo, muda em veneno o sangue de jesus cristo, e agrava a sua alma de sacrilégios horrorosos.

Diz santo Afonso Maria de Ligório, bispo e doutor da Igreja: “Não vês que todas as tuas confissões foram nulas, pois foram feitas sem contrição, sem propósito de emenda, e sem arrependimento sincero?”. Antes de nos confessar, examinemos bem a nossa consciência. Em seguida, digamos ao sacerdote, que pecados específicos cometemos, e, com a maior exatidão possível, quantas vezes os cometemos desde a sua última boa confissão. Só se é obrigado a confessar os pecados mortais, visto que, podemos obter o perdão dos pecados veniais, através de sacrifícios e atos de caridade. Se estivermos em dúvida, sobre se um pecado é mortal ou venial, mencionemos ao confessor a nossa dúvida. A alma deve evitar todos os pecados veniais, pois eles abrem caminho ao pecado mortal. Esconder deliberadamente um pecado mortal invalida a confissão, e é igualmente pecado mortal. Lembre-se que a confissão é privada e sujeita ao sigilo da confissão, o que quer dizer que é pecado mortal um sacerdote revelar a quem quer que seja a matéria de uma confissão. Não tenhamos receio de confessar ao sacerdote qualquer pecado impuro que tenhamos cometido. Não escondamos ou tentemos disfarçá-lo. O sacerdote está ali para nos ajudar e perdoar. Nada do que possamos dizer o escandalizará; por isso, não tenhamos medo, por mais envergonhado que estejamos. Lembre-se de confessar os seus pecados com arrependimento sobrenatural, tendo uma resolução firme de não tornar a pecar e de evitar situações que levem ao pecado. Peçamos ao nosso confessor, que nos ajude a superarmos alguma dificuldade que tenhamos em fazer uma boa confissão. Cumpramos prontamente a nossa penitência. Ao nos depararmos com a gravidade da ofensa que cometemos, com o grande amor com que Deus nos amou, derramando o seu próprio sangue para salvar-nos, é preciso que nos comovamos e verdadeiramente nos envergonhemos. Mas, que a causa da nossa vergonha seja o pecado! E que essa mesma vergonha nos leve a um propósito firme e sério de não mais ofender a Deus! Caso contrário, será uma vergonha estéril e sem nenhuma serventia. Transformemos, por fim, a “falsa vergonha” da confissão, em disposição para servir a Deus, porque o arrependimento não consiste em grandes sentimentos ou em prantos efusivos, mas em uma resoluta vontade de amar e ser fiel à Nosso Senhor, às suas leis, pois nisto consiste a verdadeira caridade: cumprir as leis divinas. E como ensina Santa Teresa: “Consiste o amor, numa total determinação e desejo de contentar a Deus em tudo, em procurar, o quanto pudermos, não ofendê-lo e rogar-lhe pelo aumento contínuo da honra e glória de seu Filho, e pela prosperidade da Igreja Católica”.

 

Equipe Padre Rodrigo Maria

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